Análise dos Ensaios Técnicos do Grupo A (2017)

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Sinal verde para o Carnaval Capixaba 2017. Essa é a sensação dos sambistas com o início dos ensaios técnicos que começaram na terça-feira dia 24/01 no Sambão do Povo. Lembro que os ensaios são primordiais para as escolas aprimorarem seus principais quesitos, assim como, detectar possíveis correções.
São Torquato
A Independentes de São Torquato possui um dos mais interessantes enredos para o carnaval 2017, “Na busca pela sabedoria, meu caminho é independente”, e, dessa forma, entrou no Sambão do povo para abrir a temporada de ensaios técnicos. A comissão de frente fez uma boa apresentação, com alguns erros de sincronia e execução, mas o ensaio técnico serve justamente para isso, reparar os deslizes para o desfile oficial. O primeiro casal da escola, formado por Julia e Vinícius, realizou uma apresentação consistente e tecnicamente adequada as exigências do quesito, apesar do casal ter apresentado problemas com o pavilhão durante a exibição na primeira cabine julgadora, em razão do vento forte. Ainda assim, o quesito da São Torquato é um dos mais sólidos do Grupo de Acesso. Mas o maior destaque do ensaio da escola foi a junção do samba, um dos três melhores do ano, com a bateria da São Torquato (repleta de grandes nomes do Carnaval Capixaba), mas que apesar da ousadia, não conseguiu realizar uma apresentação perfeita. Porém, o “casamento” com o samba possivelmente renderá “notas” máximas no desfile oficial. A São Torquato apresentou a força dos seus quesitos para o Carnaval 2017 e demonstrou que, dependendo da apresentação plástica do seu desfile (fantasias e alegorias), a escola está na briga pelo título.
O samba – Nota 10
O samba da Independentes de São Torquato é possivelmente o melhor samba do Grupo de Acesso do Carnaval 2017. Além da fantástica, e encantadora, melodia, a letra do samba é poética e repleta de ótimas passagens: “Trilhar meu destino me manter de pé/ Independente do que vier” e “Quem sabe um dia em doce utopia/ Serei tão sábio quanto Salomão”. Apesar da primeira parte do samba ser um primor, a segunda parte possui o melhor trecho melódico da obra: “O dia a dia em comunhão/ modernidade e tradição/merece respeito a história da nossa raiz/chegou nossa hora/ é a voz do povo quem diz”. Já fazendo um link perfeito para o refrão de “cabeça”: “O Vermelho e branco é minha paixão/ é sabedoria pro meu caminhar”.
Chegou o que Faltava
Resultado de uma reformulação nos últimos dois anos, a escola de samba deixou de ser o “patinho feio” do Grupo de Acesso para se tornar uma das mais aguardadas do Carnaval Capixaba. O enredo da Chegou o que Faltava para o Carnaval 2017 é “Lendário das águas: Místico, sagrado e Elemental”. A escola se apresentou de forma organizada, com a demarcação dos espaços dos carros alegóricos e uma apresentação brilhante da comissão de frente. Também gostei da apresentação do casal, José Augusto e Amanda, apesar de erros na condução do pavilhão (fator vento atrapalhou) e alguns momentos de falha no sincronismo. Confesso que senti falta de uma maior presença da comunidade. As alas não cantavam o samba, incluindo os quesitos, apesar de reconhecer que o samba não é mesmo empolgante. A bateria, que contou com um número reduzido de componentes em relação as escolas do Grupo de Acesso, se apresentou de forma funcional.
O samba – Nota 9.6
Definitivamente o samba 2017 da Chegou o que Faltava está a “anos luz” do samba do ano passado. O refrão principal é apenas funcional e me incomoda o trecho “Chuê, Chuê, Chuá, Chuá”, pela forma “pra baixo” que é cantado. Com isso, se torna apenas uma “passagem” para a primeira parte do samba, possuindo “zero” empolgação. Apesar do samba possuir uma boa letra, alguns trechos são realmente confusos: “As tempestades, mitologia/ Refletem a beleza e seu encanto/ Calmaria e acalanto/ Nascente de Magia” (apesar da interessante melodia). O refrão do meio, assim como o principal, também é excessivamente “morno”. Não empolga e não apresenta uma melodia diferenciada. A segunda parte do samba é sem dúvida alguma o melhor trecho da obra, com destaque para os versos “Ouça nosso grito de alerta/ O mundo não espera, vamos preservar/ Meus filhos dessas águas vão provar”.

 

Rosas de Ouro
A escola de samba da Serra não participou dos ensaios técnicos.
O samba – Sem Avaliação (em razão de ser compositor da obra)
O enredo da Rosas de Ouro para o Carnaval 2017 é a pirataria, e recebeu o nome “É pirata, fica de olho. A Rosas de Ouro vai desvendar o tesouro”. O tema é uma reedição do Carnaval 2011, composta por mim, Leley do Cavaco e Renilson Rodrigues, na ocasião, o samba ganhou a maior nota do Grupo de Acesso. É um samba leve e animado, assim como é proposto o desfile da escola de samba. Destaco, tanto melodicamente quanto na letra, a primeira parte do samba: “Naveguei e pelos sete mares atravessei/ Vivendo o sonho de liberdade/Riquezas e joias busquei/ Monstros e lendas mistérios do mar/ “A Terra do Nunca eu quis conquistar/ “Pirata do caribe” me tornei/ Corsário a mando de reis/ Singrando oceanos descobri/ O ponto X do mapa é aqui.
Andaraí
A Andaraí já entrou no Sambão do Povo com uma grande responsabilidade. É a escola apontada no período pré-carnaval como “favorita” ao título do Grupo de Acesso. Mas será que a Andaraí se comportou como uma campeã? A comissão de frente, coreografada por George Falcão, é uma das mais aguardadas do Grupo de Acesso, realizou uma boa apresentação, com alguns erros de sincronia e coreográficos, mas nada que demonstre preocupação para o desfile oficial. Pela “bagagem” do coreografo, ainda espero de suas comissões de frente algo inovador, diferente e não apenas funcional. O primeiro casal, Marcos Paulo e Priscila, demonstrou sintonia, boa coreografia e qualidade técnica em relação as exigências do quesito, apesar de apresentar “graves problemas’ na condução do pavilhão durante a exibição na primeira cabine, muito em razão do “vento” (a bandeira insistiu em enrolar por diversas vezes). Mas definitivamente, é um dos melhores casais do Grupo. A escola cantou pouco o samba e, sinceramente, esperava um número maior de componentes. Além disso, apresentou problemas de evolução durante a entrada do recuo, o que é justificável pela tática envolvida. É melhor errar no ensaio técnico, é claro, do que no desfile oficial. A bateria, comandada pelo mestre Kaio Amorim, fez uma apresentação consistente.
O samba – Nota 9.5
O samba se inicia com um refrão principal forte, que peca pela rima pobre no trecho “colorindo geral”. O primeiro trecho do samba possui ótima letra, mas me desagrada melodicamente a “passagem “Desperta na Roma antiga/ A Luz da inovação dessa arte milenar”. O refrão do meio é muito bom e na segunda parte da obra, de ótima letra, destaco o trecho “Bato no peito e digo ao mundo inteiro/Em verde e rosa, vou tatuar/ Pra sempre hei de te amar”. Resumindo, o samba da Andaraí para o Carnaval 2017 é apenas funcional.
Chega Mais
A Chega Mais, escola que estava ameaçada de não desfilar no Carnaval 2017, surpreendeu a todos no Sambão do Povo com um grande número de componentes, uma ótima atuação do carro de som, agora comandado por Wander Show, em parceria com o samba e a bateria do Mestre Vinícius Seabra. A comissão de frente, coreografada por Vinícius Santana, é impossível de ser analisada, já que a coreografia ainda está em desenvolvimento. Mas já adianto que pelo pouco tempo até o desfile oficial, acho 15 componentes uma quantidade “exagerada”. Vamos aguardar né! O primeiro casal, Diego Machado e Delma Santana, demonstraram qualidades, mas ainda precisam de se ajustarem para chegar ao objetivo final: a nota10. Diego Machado é um “show men”, ágil e repleto de qualidades técnicas, A grande dificuldade para o casal é a adaptação de Delma Santana com a dança de Diego, que todos sabemos, são divergentes. Mas nada que alguns ensaios para o casal se adequar e realizar uma grande apresentação no desfile oficial. O samba se comportou de forma eficiente, novamente elogio a atuação de Wander Show, e em relação a bateria, que fez uma apresentação sólida, mas senti falta de ousadia, criatividade, resumindo, bossas.
O samba – Sem Avaliação (em razão de ser compositor da obra)
O enredo da Chega Mais para o Carnaval 2017 é “Chega mais e veja a majestade do samba! O voo da águia rumo a vitória!”. O samba é composto por mim, Renilson Rodrigues, Tim e Lolo. Entre os destaques da obra, chamo atenção para a construção do samba, baseada nas obras da grande homenageada, a Portela. A obra se preocupa em falar da escola de samba carioca, desde o seu surgimento, até os enredos inesquecíveis. Dessa forma, destaco a segunda parte do samba: “Gosto que me enrosco em você portela/ Minha vaidade eu nunca vi coisa mais bela/ Paixão, inspiração para o meu samba/ Reflete as glórias desse meu Brasil/ Contando histórias dessa pátria mãe gentil/ Vem, rumo a vitória águia guerreira/ É tradição da pioneira/ Não ter medo de modernizar/ É ela que faz meu corpo arrepiar/ Se eu for falar da portela não vou terminar”.

 

Tradição Serrana
A Tradição Serrana realizou um bom ensaio técnico, com um ótimo número de componentes e apresentou quesitos que a colocam na briga pelo título do Grupo de Acesso (resta ver como a escola irá se apresentar plasticamente). Mas apesar disso, repetiu os mesmos erros do último carnaval: falhas “gritantes” na evolução da escola. Todos ficaram encantados com a “idealização” da coreografia da comissão de frente, comandada por Cássio Correia, mas que infelizmente, acabou se atrapalhando no desenvolvimento ao longo da avenida, algo que se não for aperfeiçoado, pode render problemas no desfile oficial. O Sambão do Povo possui “pontos cegos” para as cabines julgadoras, basta aproveitá-los e desenvolver a comissão sem atrapalhar o restante do desfile. O primeiro casal da escola, Eduardo Belo e Sayuri Kame, não ensaiaram, já que Eduardo Belo também exerce a função de diretor de carnaval. O grande destaque do ensaio, foi sem dúvida alguma, a apresentação da bateria da Tradição Serrana. Simplesmente criativa e ousada. Um dos pontos altos dos ensaios técnicos do Grupo de Acesso. E buscando uma vaga no Grupo Especial, este ano a Tradição Serrana se inspirou em histórias de bruxarias para criar o enredo “Sim Salabim, o caldeirão vai ferver”.
O samba – Nota 9.8
O samba da Tradição Serrana para o Carnaval 2017 é leve, com ótimas “sacadas” em sua letra e empolgante. O refrão principal é muito bom, assim como o refrão do meio, que se não fosse a destoante rima “pobre” na frase “Uma velha malvada é muito feia”, seria perfeito. É uma obra que tem tudo para facilitar a harmonia da escola, e aliada a ótima bateria, levantar o Sambão do Povo. Na segunda parte, destaco a melodia no trecho “Pegar a criançada, maça envenenada/ Fazer um príncipe um sapo, é de assombrar”.
Imperatriz do Forte
A Imperatriz do Forte realizou no Sambão do Povo o melhor ensaio técnico do Grupo de Acesso. A escola estava organizada, demonstrou a força de seus principais quesitos, com um grande número de componentes e uma junção musical praticamente irretocável (carro de som, intérprete, samba e bateria).
A escola cantou o samba (uma das únicas), e só para variar, a evolução foi perfeita. Agora é aguardar o trabalho desenvolvido pelo carnavalesco Alex Santiago e o diretor artístico Elidio Netto, para ver se plasticamente, a escola mantém a qualidade do seu “chão”. Destaco a ótima coreografia da comissão de frente, que de verdade, me deixou ansioso para assisti-la durante o desfile oficial. E pelo que vi nos ensaios técnicos, foi a minha predileta. Mas nem tudo são flores no ensaio técnico da Imperatriz do Forte. A grande decepção foi a apresentação do primeiro casal, Daniel Fraga e Milena Mendonça, que apesar de demonstrarem estar em sintonia, e com boa coreografia, cometeram erros primários na execução das obrigatoriedades do quesito: mestre-sala muito distante da porta-bandeira em vários momentos, estandarte se enrolando frente a cabine julgadora e alguns erros de sincronismo. Mas tudo pode ser revertido com ensaios, ensaios e ensaios.
O samba – Nota 9.9
Apesar do bom samba da Imperatriz do Forte para o Carnaval 2017, que terá como enredo “Gran Circo Imperatriz anuncia: venha se divertir no picadeiro da emoção”, a atuação de Ricardinho de Oliveira, um dos três melhores do Carnaval Capixaba, realmente impressiona. O cara é mesmo um “monstro” quando solta sua voz no Sambão do Povo. Atuação “pra lá” de irretocável. A letra do samba é praticamente perfeita, e consegue explorar da melhor forma o enredo da agremiação. O samba da Imperatriz é “pra cima”, empolgante e ao mesmo tempo leve. Um bom samba, e que na avenida, se apresentou ainda melhor. Gosto dos dois refrões, mas não é um samba impecável, principalmente por apresentar uma melodia convencional. É uma obra competente, funcional e que pode brigar pelas notas 10.

 

Unidos de Barreiros
Com o enredo “Uganda, a pérola da África”, a Barreiros pretende apresentar um desfile no Carnaval 2017 que apague por completo o “desastre” que foi a participação da escola no Grupo Especial em 2016, onde acabou rebaixada. No ensaio técnico, a escola levou um grande número de componentes e se apresentou de forma digna, e com todos os segmentos presentes. Só faltou treinar o canto da comunidade e dos quesitos, que praticamente passaram mudos na avenida. A Comissão de frente, apresentou uma coreografia que resume o enredo da agremiação, e que apesar de realizar alguns ajustes durante o ensaio técnico (ele serve para isso), o quesito deve brigar pelas notas máximas. O primeiro casal da escola, Tony e Renatinha, fizeram uma apresentação concisa, coreográfica, mas que em alguns momentos transpareceu falta de “emoção” e “garra” na apresentação. O casal, um dos mais experientes do Carnaval Capixaba, precisa colocar “um tempero” na dança para brigar pela nota 10. O samba, que sinceramente considero o mais fraco do Grupo de Acesso, não rendeu, e já no meio do desfile, a impressão era que estava “arrastado”. Já a bateria de Mestre Reginaldo, conhecida pela ousadia, não fez uma grande apresentação. Talvez em razão da quantidade de crianças e jovens que fazem parte do quesito.
O samba – Nota 9.5
O primeiro refrão, que possui a função de “passagem” para a primeira parte do samba, é resultado de uma boa junção de letra e melodia, mas nada empolgante. Me incomoda no samba as “quebradas melódicas”, que na realidade, só atrapalham a harmonia da escola e o canto, tanto da comunidade quanto do público no Sambão do Povo. É uma obra difícil de se acompanhar. Exemplos: “Um paraíso de beleza…exuberante” e também no verso “Do solo brotaram riquezas…fascinantes”. A letra do samba é boa e consegue apresentar o enredo com qualidade. E o samba finaliza com a minha parte predileta da obra “Meu São Cristovão, hoje canta Uganda/ E nos versos do meu samba/ Vem dizer: Barreiros eu amo você”.

 

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