Análise dos desfiles das escolas do Grupo Especial (sábado – 18/02)

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Finalmente iremos descobrir nesta quarta-feira (22) a grande campeã do Grupo Especial do Carnaval Capixaba e também a do Grupo A. E este ano, os desfiles das escolas de samba foram mesmo surpreendentes. Apesar de toda crise financeira que atingiu diretamente as escolas de samba, quem acompanhou os desfiles deve concordar: tivemos o melhor carnaval dos últimos anos e possivelmente de todos os tempos. Praticamente tudo deu certo: a organização da LIESES (apesar da absurda falha no gerador durante o desfile da Chegou o que Faltava); os desfiles das escolas de samba (com exceção da Rosas de Ouro, que novamente fez uma apresentação vergonhosa, e que se não fosse a garra dos componentes da agremiação, nem mereceria atravessar o palco do carnaval); e, principalmente, a dedicação com que presidentes, diretores, carnavalescos, mestres-salas e porta-bandeiras, ritmistas, mestres de bateria, comissões de frente, comunidade, aderecistas, rainhas, costureiras, e todos que realmente fazem o carnaval, conseguiram construir um espetáculo belíssimo, grandioso, luxuoso e digno. Sabemos das dificuldades, sei da falta de aporte financeiro por parte do Governo do Estado e da Prefeitura de Vitória (liberar a verba após os desfiles é um absurdo), assim como também sei da falta de carácter e compromisso de alguns dirigentes, mas no fim de tudo, o Carnaval Capixaba 2017 foi maravilhoso. Mas como comentarista de carnaval, cargo que tenho o prazer em exercer há 10 anos, tenho que opinar, apontar erros e acertos, pois os trabalhos apresentados no Sambão do Povo não são analisados somente por mim, mas pelo sambista capixaba e pelos julgadores oficiais do Carnaval. Então, se você não tem a capacidade de reconhecer erros, ou não está preparado para ser julgado pelo trabalho desenvolvido, você está na profissão errada.
O carnaval 2017 marcou a vitória do samba, do sambista e dos componentes que desfilam sua alegria e dedicação pelo Sambão do Povo.
E Viva o Samba!
GRUPO ESPECIAL
Novo Império (2° Cabine Julgadora)
A Novo Império prometia um dos maiores desfiles da história em busca do título do Grupo Especial do Carnaval Capixaba, e para isso, trouxe como trunfo a criatividade do carnavalesco carioca Jorge Caribé. Com o enredo “A cura para o mundo está aqui! Vitória, um manto cheio de esperança”, a escola pode não ter realizado um desfile perfeito, mas com certeza, fez o mais grandioso e imponente de sua história. A apresentação da escola se iniciou com a criativa comissão de frente de Andrezinho Castro. Em sua exibição, Gandhy, Madre Teresa de Calcutá e até mesmo o Papa se uniram para representar o poder da cura. Mas o quesito deve perder preciosos décimos em razão de não utilizar um tripé durante a apresentação, algo previamente comunicado aos jurados. E esse não foi o único atropelo no desfile da agremiação. Diversas alas estavam com as fantasias incompletas, descalças e sem as “cabeças”, inclusive a bateria, o quesito mais renomado da agremiação. Mas se por um lado a escola deve ser severamente punida no quesito fantasia, ela compensou os erros com um desfile grandioso e impactante. Só o imponente “pede passagem” com o nome da agremiação já dava a dimensão do que estava por vir. O primeiro casal, Sandro e Amanda, fizeram uma boa apresentação, mas muito aquém das performances vistas na quadra ou no desfile do ano passado. O carro abre alas unia imponência, criatividade e bom gosto, e trazia uma enorme serpente como destaque. Se as alegorias apresentavam um bom conjunto, o mesmo não pode ser dito das fantasias, que além dos problemas de falta de uniformidade, também apresentavam pouca leitura e qualidade inferior as concorrentes do Grupo Especial. A atuação do carro de som foi muito boa, assim como o samba, um dos melhores do ano, que funcionou perfeitamente e foi muito cantado pelos componentes ao longo do Sambão do Povo. Mas talvez o grande destaque do desfile tenha sido a exuberante atuação da Orquestra Capixaba de Percussão,  que realizou uma apresentação segura, ousada e empolgante. O carro do Preto Velho, todo construído com chapéus de palha, também merece ser destacado. Não há dúvidas que a Novo Império errou plasticamente (principalmente em relação as fantasias), mas apesar disso, fez um grande desfile. O sonho de ser campeã do Grupo Especial não vai acontecer, mas dificilmente a escola será penalizada com a queda para o Grupo de A em 2018.
Unidos de Jucutuquara (2° Cabine Julgadora)
Neste carnaval, a Unidos de Jucutuquara apostou na reedição do enredo “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”, de 1991, para tentar brigar pelo título do Carnaval Capixaba. Se faltou o luxo dos tempos áureos, quando a escola chegou a ser tricampeã do Carnaval Capixaba, sobrou a grandiosidade e a garra dos componentes. Mas a escola aposta mesmo é na força dos seus quesitos para conseguir uma boa colocação. A comissão de frente, coreografada por Jorge Mayko, fez uma boa apresentação, mas muito distante do histórico do coreografo e da agremiação. O abre alas unia imponência e bom gosto, e trazia uma enorme coruja, símbolo da agremiação, e uma segunda parte em tons escuros, representando a destruição da natureza. Assim como a Novo Império, a Jucutuquara também apresentou alas com fantasias incompletas e outras com problemas de concepção. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gessya e Juliander, novamente realizou uma apresentação técnica e impecável (que continuo achando fria). A bateria realizou uma boa apresentação; o samba, uma das grandes incógnitas desse carnaval, foi funcional; e a atuação de Kleber Simpatia e do carro de som merecem destaque. A Jucutuquara também deve perder preciosos décimos no quesito evolução, já que a escola teve que “correr” com seu desfile para completar a apresentação no tempo de 70 minutos (criando alguns buracos), já que iniciou o desfile 17 minutos após o sinal verde.
Mocidade Unida da Glória (2° Cabine Julgadora)
Simplesmente espetacular. A MUG não só realizou o melhor desfile plástico de 2017, como também o maior desfile de sua história. E grande parte do mérito vai para o trabalho idealizado pelo carnavalesco Cid Carvalho na construção do enredo “A MUG dá as Cartas!”. Se o empolgante samba de enredo não era tecnicamente um dos melhores do ano, sua funcionalidade só contribuiu para o desfile da agremiação. Assim como a comissão de frente coreografada por Monika Queiroz, que realizou uma grande apresentação. O primeiro casal, Kleyson e Layli, que estreavam na função pela escola, também realizaram uma boa apresentação, apesar de achar que o Kleyson estava um pouco “engessado” na fantasia. Em relação ao desenvolvimento do enredo, do conjunto alegórico e das fantasias, a MUG estava perfeita, desfilando grandiosidade e luxo pelo Sambão do Povo. A bateria do Mestre Junior Caprichosos novamente realizou uma apresentação brilhante, e como já é de costume, a escola cometeu poucos erros de evolução. A agremiação também abusou da criatividade e alas coreografadas para encantar o público e os jurados. Sem dúvida alguma, a MUG é favoritíssima a conquistar um inédito tricampeonato em sua história.
Pega no Samba (2° Cabine Julgadora)
Com o enredo “Nas taças da história, o Pega brinda o néctar da humanidade”, a escola da Consolação mostrou garra durante sua passagem pela passarela do samba. A comissão de frente fez uma boa apresentação, revelando o melhor trabalho da coreografa Giovana Gonzaga no Sambão do Povo. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Gedilson e Thainá, se apresentaram com uma belíssima fantasia, mas a exibição aos jurados, apesar de competente, está longe de ser brilhante. Apesar da ótima atuação, o carro de som não conseguiu fazer com que os componentes da escola cantassem o samba. Nem mesmo a qualificada bateria de Mestre Jorginho foi capaz de ajudar no sucesso do quesito harmonia. Já em relação ao quesito evolução, a Pega no Samba realizou um desfile tecnicamente perfeito. Quanto aos quesitos plásticos, a agremiação ficou devendo. As fantasias eram, em sua grande maioria, de pouca leitura ou de gosto duvidoso. E as alegorias, apesar de representarem a essência do enredo, eram de tamanho e acabamento muito inferior as principais concorrentes.Apesar do bom desfile, a Pega no Samba briga para se manter no Grupo Especial em 2018.
Unidos da Piedade (2° Cabine Julgadora)
Penúltima escola a desfilar, a ‘Mais Querida’ fez a seguinte pergunta aos foliões: “De onde vem a vontade de pintar a cara?”. Como resposta, agremiação fez uma viagem cultural no Sambão do Povo. A comissão de frente, coreografada por Márcia Cruz, fez uma homenagem ao Egito, onde foram encontrados os primeiros registros estéticos e de maquiagem. Apesar de muito bem coreografada, faltou um “algo mais” a comissão de frente. O primeiro casal, Alana e Tatu, deram um verdadeiro show na avenida, com uma apresentação empolgante e repleta de sincronia. Os carros alegóricos, apesar de tamanho reduzido, formaram um bom conjunto. Já as fantasias da Piedade estavam um espetáculo à parte. Todas de fácil leitura e grande beleza (apesar de me incomodar a repetição no estilo de esplendor em várias alas). A ala de baianas estava simplesmente deslumbrante, uma das mais lindas do carnaval. Já o último carro, que fazia menção ao filme Avatar, destoou completamente do restante do desfile, pois a alegoria tinha péssimo acabamento e uma concepção de gosto duvidoso. E apesar de possuir restrições técnicas em relação ao samba, posso garantir que a obra foi muito cantada e ajudou a contribuir com a harmonia da escola e para o bom desfile apresentado. A Unidos da Piedade deve brigar pela terceira colocação do Carnaval Capixaba.
Independente de Boa Vista (2° Cabine Julgadora)
A disputa para saber quem é a campeã do Carnaval Capixaba 2017 promete ser mesmo acirrada. Além da MUG, que busca o inédito tricampeonato, e que realizou o melhor desfile de sua história, a Boa Vista deve brigar décimo por décimo com a atual bicampeã pelo quarto título de sua história. Para começar, a Boa Vista não só realizou um desfile espetacular, como apresentou o maior e melhor desfile de sua história, sem dúvida alguma. Resultado de um trabalho brilhante do carnavalesco Peterson Alves e da diretoria da agremiação, que conseguiu dar “asas à imaginação do artista e a transformar em realidade”. Além disso, a Boa vista possui quesitos poderosos. Resumidamente, posso afirmar que o conjunto alegórico era grandioso e luxuoso, além de possuir uma brilhante concepção. A comissão de frente, comandada por Rodrigo Carvalho, simplesmente impecável e repleta de predicados, a melhor do ano. A apresentação do primeiro casal, Vanessa e Bruno, deslumbrante e sincrônica, Sem falar na belíssima fantasia. Com o enredo “Sob a luz do luar, guiada pelas estrelas…Boa Vista em alma cigana, Optcha!”, a agremiação brilhou no Sambão do Povo e encantou componentes e o público com seu ótimo samba, uma evolução sem erros e alas muito bem vestidas. E para finalizar, a bateria da agremiação também contribuiu com uma exuberante apresentação.
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Os Melhores do Grupo Especial
  • Melhor Desfile: Mocidade Unida da Glória (MUG)
  • Brigam pelo Título: Mocidade Unida da Glória (MUG) e Boa Vista
  • Melhor Bateria: Novo Império
  • Melhor Samba: Boa Vista
  • Melhor Enredo: Mocidade Unida da Glória (MUG) e Boa Vista
  • Melhor Intérprete: Emerson Xumbrega e Kleber Simpatia
  • Alegorias e Adereços: Mocidade Unida da Glória (MUG) e Boa Vista
  • Fantasias: Mocidade Unida da Glória (MUG) e Boa Vista
  • Comissão de frente: Boa Vista
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Piedade e Boa Vista
  • Ala de Baianas: Mocidade Unida da Glória (MUG)
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