Samba Capixaba! De onde veio, o que é, como é, onde vai parar?

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Em tempo que comemoramos 100 anos do primeiro samba gravado, aqui em terras capixabas só conseguimos gravar o primeiro LP de samba de enredos em meados dos anos 80. Não que nosso desfile tenha começado a partir desta época. No final da segunda década do século XX começaram a surgir as batucadas nas regiões menos favorecidas da nossa Ilha, pois até então nosso carnaval era exclusivamente da elite, onde os corsos desfilavam pelas ruas da cidade exibindo os automóveis como verdadeiros carros alegóricos e a socialite com fantasias luxuosas.

As batucadas tomaram proporções, surgindo a necessidade de se criar uma organização. Eis que surge a UBES (União das Batucadas do Espírito Santo). Essa união trouxe certo profissionalismo aos desfiles que entre blocos e batucadas chegaram a quantidade de doze agremiações. Destas agremiações a única que continua na ativa é a Andaraí que passou a ser escola de samba automaticamente. Ai o leitor pergunta; Mas não é a Unidos da Piedade a primeira? Sim! A Mais querida não nasceu da união das batucadas e nem dos blocos como alguns pensam. Ela já nasceu escola de samba e foi registrada em 1955, portanto o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos da Piedade é a primeira. A Mocidade se estendeu até os anos 60 e a Chapéu do Lado perdurou até o inicio dos anos 70 onde se extinguiu logo após o falecimento de um de seus fundadores e presidente de honra Eduardo Silva.

Algumas batucadas se tornaram escolas de samba e a UBES continuava na organização. O carnaval capixaba sofreu transformações, com a crise econômica na era getulista a socialite, empresários, imprensa foram tomando gosto pela festa de momo dos morros e periferia. Com o golpe de 1964 eis que o governo classifica essa movimentação como subversiva, e os sambistas usaram de vários subterfúgios para manter nosso carnaval.

Chegamos aos anos 80. Que maravilha! O setor público abraçou a causa dos desfiles. A ACES (Associação Capixaba das Escolas de Samba) foi fundada. Surgiam a cada instante novas agremiações… foi inaugurado o Sambão do Povo. Blocos foram obrigados a virarem escolas, como Unidos de Jucutuquara e a Lira do Moscoso. Houve época que tivemos mais de 30 escolas. Qualquer indivíduo poderia ir até a prefeitura registar sua agremiação e usufruir da verba pública. Reza a lenda que existia um setor dentro da prefeitura só para esses assuntos e que a campeã saia desse setor e não dos julgadores. Que coisa boa! Ligas e associações brotavam de hora em hora. Como o queijo estava de boa qualidade e farto, todo mundo queria a sua fatia.

Anos 90 chegaram com outra concepção de politica. Foi fundada a UESES (União das Escolas de Samba do Espírito Santo). As exigências nas prestações de contas surgiram e junto as dificuldades dos gestores em apresentarem documentações também. Esse motivo e mais uma série de fatores levaram a suspensão do nosso carnaval entre 1993 à 1997. Algumas escolas, principalmente as tradicionais durante esse período continuaram se movimentando nos bastidores. Em 1998 aconteceu o retorno. As escolas desfilaram na Avenida Jeronimo Monteiro até 2001. Em 2002 o Sambão do Povo foi reinaugurado e surge a LICES (Liga Capixaba das Escolas de Samba). Em 2009 essa Liga se extinguiu com a desfiliação das agremiações dando lugar para a LIESES. Que está até hoje.

E agora José? O que será do nosso carnaval daqui pra frente? Estamos entrando no final ano e a percepção do sambista capixaba é de interrogação. Corre nos bastidores que existe briga pessoal, onde se um determinado candidato ganhar a eleição (que agora ficou para depois do carnaval 2017), o outro irá derrubá-lo quantas vezes necessário for. E o sambista verdadeiro, como fica nessa história? E o folião que ama carnaval e gasta dinheiro para abrilhantar a festa de momo e sua satisfação pessoal? A paz reina por enquanto, mas até quando? Não queremos que acabem com nosso carnaval mais uma vez. Fica a dica!

Mudando do Piano para o pandeiro e tamborim com o ronco da cuíca. Logo no ano que comemoramos 100 anos de samba, senti falta dos concursos de sambas de enredo. Em 2017 praticamente só a Novo Império fez concurso de samba, e, diga-se de passagem, a energia na quadra foi espetacular. Uma pena que outras escolas não mais o fazem. Algumas optaram por reedição, como é o caso da Rosas de Ouro e da Jucutuquara, que, outrora movimentava sua quadra com disputas maravilhosas, houve épocas que tínhamos mais de vinte sambas concorrendo na coruja. Reedição é sempre um risco maior para a escola, mesmo em tempo de crise. Essa é minha opinião. A Piedade prefere juntar os compositores locais para fazerem um único samba. Tem dado certo. As demais optaram pela famoso: “samba de gaveta”.

Antigamente o carnavalesco ou presidente lançava o tema os compositores elaboravam e a escola desfilava em cima do samba composto para aquele tema, não havia setorização e nem justificativas para os jurados. Hoje as coisas inverteram, não existe samba feito antes do enredo escrito e explanado. Tempos modernos.

Estudos apontam que o primeiro samba de enredo surgiu em 1933 pela Unidos da Tijuca e o primeiro gravado foi em 1955 pela Império Serrano. Aqui em terras capixabas o primeiro samba enredo foi em 1963 da Unidos da Piedade e, composto pelo saudoso Mario Ramos, apelidado como Mario Reboco.

E Viva Donga, que, graças a sua esperteza o brasileiro conseguiu ter o primeiro de uma série de sambas de todos os gêneros gravados e espalhados pelo mundo. E viva também a gravadora Edson que acreditou nesse segmento tão discriminado até nossos dias.

E VIVA SAMBA!

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