O Passo é marcado ou Coreografado?

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Grupo da ala coreografada “Fadas do Arco Iris” da Unidos da Piedade Coreógrafo Paulo Balbino Foto gentilmente cedida por Janaina magalhães Abreu

Não sabemos com precisão quando realmente surgiu a ala de passo marcado nas escolas de samba. Reza a lenda que em 1957 a Portela(RJ) inventou de fazer os adereços de sisal (uma espécie de palha) tipo perucas para uma ala e o resultado não foi favorável, no qual resultou numa coreografia de imediato para disfarçar em forma de entretenimento e os jurados e público não perceberem. A Império Serrano(RJ), esbaldava criatividade na ala “Sente o Drama”. Alô gente boa da Piedade,não é mera coincidência que a Mais Querida também teve uma ala com esse mesmo nome.Várias escolas cariocas mantêm essas alas em seus desfiles. Destaque para as Pretas Velhas da Beija-Flor que tiveram que ensaiar muitas horas numa única posição não muito confortável, mas conseguiram. Vale lembrar  que ala com performance teatral é diferente das citadas neste texto. Alguns dizem que a ala de passo marcado foi promovida para a coreografada, pois agora ela saiu dos ensaios no paralelepípedo para a academia com direito a ar condicionado, nutrientes e energéticos. Outros acham que tira a característica do verdadeiro samba de raiz e as escolas com excesso desses passos esfriam na avenida. Enfim, só sabemos que ela existe a muitas décadas e quem criou ainda é uma incógnita.

Ala Sente o drama da Império Serrano RJ 1965 Nos anos 70 uma das alas coreografadas da Unidos da Piedade foi batizada com este mesmo nome Foto da internet

Aqui em terras capixabas era comum as escolas terem alas de passo marcado, destacando a de maculelê da Santa Lucia, Índios apaches da Amigos da Gurigica, A do Flecha da São Torquato, Querosene e Sente o Drama da Piedade. As coreografias foram tão bem recebidas  na festa de Momo que até em carros alegóricos o efeito foi satisfatório. Paulo Barros(RJ) encantou com o carro do DNA também na Tijuca.

Carro do DNA, Unidos da Tijuca. Totalmente coreografado Foto: internet

A Mocidade Unida da Glória vem inovando a cada ano neste setor. Por ser bailarino e coreógrafo de formação uma das características do carnavalesco Paulo Balbino é manter essa tradição por toda escola que passa. Em outra época, grupos formados de capoeira, maculelê, e várias danças folclóricas do interior eram convidadas para desfilarem, até porque aumentava o contingente  e o custo era praticamente zero pelo fato de não precisar  fazer fantasia. Geralmente os carnavalescos gostam dessas alas pois é uma maneira, digamos, não tão oficial de explicar o enredo na avenida. Não necessariamente, mas em sua maioria as escolas usam elementos da comunidade para fechar essa ala, pois com os ensaios obrigatórios são exigido o canto dos componentes. Conversamos com alguns diretores de carnaval e harmonia de diferentes escolas  e ouvimos o que eles pensam.

.” Uma ala que só ensaia dentro de academia pode complicar o andamento do desfile. Geralmente são coreografias paradas que prejudicam a evolução da escola, por outro lado o canto agita a galera e levanta o público, se for necessário ter na visão do carnavalesco, que tenha,mas apenas uma é suficiente”.(Weslley Denadai, diretor de harmonia da Pega no Samba).

” Puro malefício! Escraviza pessoas na avenida. Engessa a escola como num desfile de Sete de Setembro. Cantar o samba é obrigação de toda escola. Hoje temos até ala de passistas que deixaram de sambar para coreografar. Está desastroso. O maior problema é que tira a euforia e vibração do desfile. Essas alas Deveriam ser proibidas.” ( Devaldo Batista Mancha, diretor de harmonia da Unidos da Piedade)

“A alguns anos nossa ala coreografada virou um ícone na escola. Fazemos dela uma espécie de coringa e está sempre num ponto estratégico. Teve época que tivemos três alas coreografadas, hoje com a diminuição da escola para redução de custos manteremos apenas uma. A ala coreografada mantém o canto e a evolução e é funcional quando bem utilizada.”  ( Slin Ribeiro, diretor de harmonia da Mocidade Unida da Glória)

 

Mocidade Unida da Gloria Foto: Acervo Viva Samba

“Quando são bem ensaiadas com movimentos dentro do enredo é legal. Uma escola deve ter no máximo duas ou três alas, vai depender da quantidade de componentes. É positivo, mas se não acompanhada pelos responsáveis em conduzir a escola na avenida pode ser um grande problema. Dependendo da coreografia o desfile pode ficar robótico e chato.” ( Marinilce Pereira, diretora de harmonia da Andaraí)

” Em Vitória eu fui o pioneiro em alas coreografadas, antes só haviam no Rio de Janeiro e aqui era passo marcado simples . A ala coreografada é um espetáculo à parte que não precisa se preocupar com samba no pé.Funciona muito bem na evolução da escola. Este ano além da comissão de frente eu assino duas alas e o geovane uma. Essas alas vem dividindo a escola em início, meio e fim”. ( Paulo Balbino, carnavalesco da Unidos da Piedade).

E VIVA SAMBA!

 

 

 

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