Diário de uma Cuíca parte II

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Outubro de 2018,

Coitada da minha dona. Ela tentava de tudo para que eu roncasse e chorasse, mas está difícil viu. Eis que numa terça-feira ela resolve sair comigo para fazer aulas com a mestre Heloisa Helena lá pelas bandas da Gurigica. Partimos na maior euforia, eu e ela, ela e eu. Chegamos à quadra da Pega no Samba. É fato que o mestre da Locomotiva da Consolação seja, talvez, o maior cuiqueiro da cidade. Enfim, minha dona está muito bem de professores.

O primeiro dia de aula foi de puro acolhimento, a paciência da professora Heloisa deixou minha dona muito tranquila. Bati altos papos com minhas amigas Gopes, Contemporânea e também ArtCelsios que nem eu. Ah! Minha dona aprendeu muitas coisas, inclusive me fazer chorar. Para o primeiro ensaio até que saímos satisfeitas.

Segundo ensaio. Aula com o mestre Jorginho. Que medo da minha dona fazer feio, mas não fez, sabe por quê? Ele disse que antes de tudo o cuiqueiro deve saber sorrir, e isso ela sabe fazer bem feito. Alguns amigos dizem que ela nasceu sorrindo. Aprendeu a dar ritmo muito bem. O difícil foi fazer o tal do agudo roncar. A teoria é muito importante, consequentemente um bom ouvido para música faz uma grande diferença, mas o tal do agudo… Minha nossa senhora do bom som, escutai o meu choro. Parece que é questão de jeito. A professora Heloisa pediu calma e disse que tudo daria certo. Emprestou uma munhequeira para minha dona ficar mais confortável e confiante. Tudo estava fluindo muito bem e minha ama feliz da vida até o momento em que o mestre decidiu que eu e minha dona nos apresentaríamos na feijoada da Pega no Samba. Fiquei muito feliz e senti que ela ficou nervosa e com medo. Tanto medo que sem querer ela encostou o paninho molhado em minha pele sensível e me rasgou. Nesse dia não tivemos condições de ensaiar até o final.

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