Diário de uma Cuíca

Foto: Reprodução
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Agosto, 2018,

Estava eu na prateleira de uma loja. Como sempre muito tranquila, dando adeus para meus companheiros que saiam da casa felizes para fazerem barulho nos palcos e nos bailes da vida de muita gente. Essa semana até um acordeom e um saxofone ganharam rumos.

Na certeza de que passaria mais um dia esperando alguém para me comprar, eis que entra uma pessoa e diz que estava ali para buscar uma encomenda. Pelo perfil estilo afro-caribenha imaginei que aquele tamanho de mulher colorida fosse comprar um contrabaixo ou tantã acoplado numa bateria.

Continuei na minha soneca sem ronco. De repente sinto o vendedor me cutucar, me colocar no balcão, e os olhos da pessoa brilhando ao mesmo tempo em que fazia várias perguntas e falava sem parar; meu sonho era ter e tocar uma cuíca. Amei meu presente de aniversário e blá, blá, blá…

Pois bem a pessoa saiu me carregando na maior felicidade, me levou pra casa e me colocou em cima da mesa. Olhou-me, olhou-me… Tirou minha roupa… Sim! Saí da casa vestida com minha capinha preta. Despiu-me. Pegou-me no colo como se eu fosse um bebê, cheia de medo. E eu esperando ser tocada. Não sou uma criança!

Reza a lenda que sou milenar e de origem oriental.  No século XVI eu já passeava pelas bandas de Angola. Fui trazida para o Brasil pelos escravos.

Minha dona me fotografou e postou nas redes sociais. Ela adora fazer isso.

Passaram-se alguns dias e minha dona resolveu tirar minha roupa novamente. Pegou o famoso paninho umedecido em água e tentou fazer com que eu roncasse. Ai ai! Pensei! Nesse mato não sai coelho de jeito nenhum, muito menos pele de gato pra vestir um tamborim e me acompanhar. E essa peleja perdurou por todo mês de agosto e setembro. Que luta! Será que eu saí da loja pra virar peça de decoração em casa de sambista?

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