A escola tem custos! Você tem preço! Mas eu tenho valor! E aí, como é que fica?

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Em tempo de copa do mundo e eleições percebemos que os acontecimentos cotidianos ficam meio de lado e com o nosso carnaval não é diferente.

Para quem é apaixonado por escolas de samba e está envolvido sabe que a cronologia é antecipada. Termina um desfile e começamos a trabalhar imediatamente para o ano seguinte. Muitos dizem que estão todas a escolas paradas, errado. No primeiro semestre as quadras podem estar inertes, mas as cabeças estão pensando e funcionando. Seja em busca de um enredo que atinja as expectativas, seja fazendo ajustes do que deu ou o que não deu certo, ou tomando decisões. Decisões às vezes muito difíceis, até porque se mexe com pessoas que ocupam determinados cargos dentro da sua agremiação. E como na festa de momo todos nós somos reis e rainhas por um dia temos valor não queremos perder nossas coroas jamais. Principalmente quando pertencemos a uma comunidade ocupando espaços geográficos, isto é, quando nascemos e moramos no bairro ou somos descendentes de fundadores ou baluartes isto tem um preço. Atitude normal, portanto a ameaça de novos entrantes sempre é um grande perigo, e se a diretoria não sustentar as decisões com sabedoria, jogo de cintura e bons resultados, cuidados devem ser tomados, senão o destronamento pode acontecer que nem queda de muralha de dominó e o custo podem ser altos.

Às vezes sou mal interpretada quando digo que, carnaval é para quem pode e não para quem quer. Mas se eu quero, claro que eu posso e se eu posso, eu devo participar.

Todos “podemos” de alguma forma ajudar nossas agremiações. Hoje nós da equipe Viva Samba optamos por fazer algo por todas. Optamos por divulgar nosso carnaval e nossos sambistas. De qualquer maneira compramos um espaço no samba e pagamos com trabalho. Aliás, quem não compra? O que seria das escolas se não tivessem quem pagassem suas fantasias para as alas. Os ritimistas estão lá ensaiando, de qualquer maneira estão garantindo seu espaço para o grande dia, se não ensaiar não desfila. E os destaques? Gastamos e não é pouco para compormos o carro alegórico de acordo com o que nos é pedido, mas nem sempre somos atendidos com o que nos prometeram. Se eu for colocar aqui as histórias de cada destaque daria um livro. Já passamos coisas do arco da velha em uma alegoria, pior quando a alegoria não aparece na avenida. Mestres salas, portas bandeiras, comissões de frentes, ensaiam exaustivamente, estão pagando, e com a obrigação de garantirem notas máximas. Se as escolas lutam com dificuldades financeiras não devem bancar fantasias de setores que não é quesito e se eu quero lugar de destaque e não tenho dinheiro para pagar, não me custa fazer alguma coisa para ajudar.

No livro “O palácio do samba” que faz um estudo antropológico sobre a Estação Primeira de Mangueira diz que em um determinado momento em que a escola estava com grandes dificuldades financeiras o diretor social promoveu uma grande roda de samba aos fins de semanas, todos sem remuneração. A Salgueiro e a própria Mangueira desfilaram na passarela por um bom tempo sem rainha e madrinha, até encontrarem alguém que bancasse sua própria fantasia e fizesse algo produtivo pela escola. Lembrando que algo produtivo nem sempre é dinheiro em espécie. Diretoria que trabalha de verdade é a que paga mais caro porque sempre tem que bater de frente com alguém que não trabalha, mas que adora bater no peito e dizer o tamanho da sua importância naquela agremiação. Ufa! Chegou me dar arrepios agora.

Mas para conquistarmos nosso espaço numa escola de samba o primeiro “cheque” deve ser o do coração, depois o da dedicação, seguido da sabedoria, de lidar com as labaredas da vaidade, incluindo a nossa própria que também não é nenhum fogo brando, senão estaríamos longe do carnaval. E nunca diga: Eu estou pagando. Porque no final a escola sempre estará te devendo e você devendo muito mais o que pagou. Digamos que seja um investimento rotativo e perigoso para quem não conhece as manhas. Mas ao mesmo tempo muito satisfatório quando entramos na passarela sob a luz dos holofotes e aplausos.

Todos pagamos um preço para brilharmos no mundo do samba, basta à escolha do espaço, quanto ele vale ou o quanto somos merecedores. Mas o bom malandro por direito e de fato, sabe a hora de comprar, com o que vai pagar, quando deve vender e o momento certo de sair glamourosamente. Se o nosso valor for soberano ao preço e ao custo ele nunca será ameaçado.

“Se comprei ou se vendi o importante é que emoções eu vivi e vivo na passarela do samba”

E VIVA SAMBA!

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